
OMOLÀIYÉ – Filhos da Terra. Terra , morada dos homens que deve ser preservada, fertilizada e cultivada para que a vida não pereça, para que o mundo não se acabe.
O “Omolàiyé” (Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais) é uma instituição da sociedade civil organizada e tem por finalidade os estudos e pesquisas alternativas com o objetivo de elevar o conhecimento sobre a cultura afro-descendente e levar tais informações às comunidades interessadas, assim como a defesa, preservação e conservação do patrimônio histórico e cultural do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável. Visa ainda promoção do desenvolvimento sócio-cultural, da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, do voluntariado, da democracia e de outros valores universais. Além dessas e outras ações, visa também desenvolver estudos políticos de orientação e que promovam a conscientização das comunidades interessadas. No campo de atuação da instituição serão priorizadas as demandas relativas às comunidades de afro-religiosos no Estado (no sentido das Religiões de Matriz Africana) dentro das perspectivas abordadas em nosso Estatuto e que já foram aqui citadas.
Estivemos por um ano no processo de amadurecimento de nossa instituição, um amadurecimento lento e criterioso. Encontramos dificuldades e elas haverão de serem muitas ainda, mas talvez a maior delas até aqui foi compor de fato o “Omolàiyé”. Precisávamos formar um grupo coeso, não pensando da mesma forma, mas interligado, cooperante, ativo, que com maturidade e responsabilidade social tivesse o mesmo objetivo coletivo da produção do bem comum. Um grupo que, como disse KABENGUELE MUNANGA, compreendesse o valor da solidariedade como palavra chave do que chamamos de identidade. Identidade de gênero humano, identidade dos vários grupos que são vítimas de discriminação.
Desta forma, aqui estamos nós, mais uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos. Acreditamos nessa boa idéia e nos propomos a fortalecê-la atendendo aos mecanismos legais de visibilidade, transparência e controle públicos, nos colocando à disposição da sociedade que saberá e deverá separar o joio do trigo, como sempre bem o fez.
Nossas origens, etnias, memória estão enraizadas na multiplicidade da herança negro-africana que em sua expansão permite revelar estruturas, valores, normas, denominadores comuns que se expressam na diversidade manifestada – nagô, jeje, angola, congo, etc. , em que a questão da ancestralidade é o ponto chave da existência de uma comunalidade. Assim pensa o “Omolàiyé” e nesse pensamento serão pautadas as suas ações, para além de nossos muros fronteiriços.
A terra é uma força que vem completar, com o elemento água, a composição do planeta, possibilitando (com os outros elementos essenciais: fogo e ar) a criação e manutenção da vida humana.
“A terra não pertence ao homem,
O homem pertence à terra
Todas as coisas estão ligadas
O homem não teceu a rede da vida
É apenas um dos fios dela
O que quer que ele faça à rede, estará fazendo a si mesmo”
O homem pertence à terra
Todas as coisas estão ligadas
O homem não teceu a rede da vida
É apenas um dos fios dela
O que quer que ele faça à rede, estará fazendo a si mesmo”
(Extraído do Livro “ Candomblé, a panela do segredo” do Babalorixá Cido de Oxum).
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