terça-feira, 1 de julho de 2008

Participação da Sociedade Omolàiyé no ENJUNE-2007


Participação da Sociedade Omolàiyé na organização do ENJUNE - Encontro da Juventude Negra em Sergipe, em 2007.
O racismo, como parte dos eixos estruturantes dos padrões de desigualdade na América Latina, principalmente se considerarmos as desigualdades sócio-raciais, não apenas discrimina e oprime a maioria da população do Brasil, como também mata. Expulsos do mercado de trabalho, impedidos de freqüentar os bancos escolares e vivendo em áreas sem condições dignas de vida ou opções de lazer,os jovens negros são vítimas preferenciais da violência que tem assolado o país. Um verdadeiro extermínio da população negra que começa, contudo, muito antes de jovens negros conseguirem atingir a adolescência.
Crescendo em um ambiente cercado pela miséria, a falta de oportunidades e perspectivas, as chances de que essas crianças sejam tragadas pela violência são muito maiores, violência essa que marca a degenaração das relações sociais no mundo atual e que no sentido daquela praticada contra jovens negros ou mesmo a população em geral, só terá um fim quando derrubarmos o sistema que a alimenta e que dela se beneficia : O RACISMO, INSTITUCIONAL, AMBIENTAL, A FALTA DE EDUCAÇÂO E DE EQUIDADE.

Sergipe apresenta um percentual de 75% de jovens afro-descendentes, o que representa um número significativo da sua população, e foi visando o fortalecimento dos ideais e perspectivas mercadológicas, políticas, sociais e culturais desta parcela da juventude sergipana, que os jovens negros e negras de Sergipe estiveram presentes para a construção do Encontro Nacional de Juventude Negra, o ENJUNE , como parte de toda a mobilização nacional de jovens negros e negras que já vem sendo articulada em vários estados do País.
A organização do Encontro possuía um perfil afro-centrado, supra partidário e sem vínculos religiosos. Sua construção se deu de forma coletiva, contemplando os diferentes perfis de juventude e as particularidades de cada região, apontando para uma organização heterogênea, e manteve sua autonomia enquanto juventude. Acreditamos, que,enquanto juventude organizada, houve a possibilidade de construção de metas dessa mesma juventude com uma plataforma única, que acabou possibilitando um novo papel, permitindo a abordagem de diversas questões que contribuirão neste novo panorama social dentro do contexto étnico/racial.
As dificuldades para chegarmos a construir esse encontro foram sendo dissipadas pelo caminho na medida em que tínhamos a consciência da necessidade de reunir os nossos jovens negros e negras para estarem fazendo uma leitura mais cuidadosa da realidade brasileira e fazê-los compreender o desafio que se impõe diante deles para a construção de ações políticas que visem a justiça social e racial.
Assim chegamos ao ENJUNE/ Sergipe que oportunizou, a partir da discussão dos eixos temáticos propostos, a contribuição desses jovens atores na formulação de uma agenda política que também priorize suas reais necessidades.
Agradecemos a colaboração de todas as pessoas que com certeza irão contribuir para o sucesso de mais essa etapa na luta por um Sergipe e um Brasil cada vez mais igualitário.

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